Por Redação IAB - Larissa Andrade
Falar sobre autismo na terceira idade é ampliar o olhar para uma população que, durante muitos anos, permaneceu invisível. Embora o Transtorno do Espectro Autista (TEA) acompanhe a pessoa por toda a vida, muitos idosos chegam a essa fase sem nunca terem recebido um diagnóstico ou compreendido características que fizeram parte de sua trajetória.
O autismo é uma condição do neurodesenvolvimento que não desaparece com o envelhecimento. A pessoa autista cresce, envelhece e continua precisando de compreensão, suporte e serviços preparados para atender suas necessidades específicas em todas as fases da vida.
No Brasil, um importante avanço aconteceu com a divulgação dos dados do Censo Demográfico 2022 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), realizada em 2025. Pela primeira vez, o levantamento incluiu uma pergunta específica sobre diagnóstico de autismo e identificou cerca de 2,4 milhões de pessoas diagnosticadas com Transtorno do Espectro Autista no país, o equivalente a 1,2% da população brasileira.
Apesar desse avanço, os dados mostram que a maioria dos diagnósticos ainda está concentrada nas faixas etárias mais jovens. Entre adultos e idosos, os números são menores, o que não significa que o autismo não esteja presente nessas populações. Especialistas apontam que muitas pessoas de gerações anteriores cresceram em uma época em que havia pouco conhecimento sobre o TEA, poucos recursos de avaliação e menor acesso a profissionais especializados.
Durante décadas, muitas pessoas autistas desenvolveram estratégias para se adaptar às expectativas sociais. Algumas aprenderam a esconder dificuldades, controlar comportamentos ou evitar situações que causavam desconforto. Esse processo, conhecido como camuflagem social ou masking, pode contribuir para que características do autismo permaneçam sem identificação por muitos anos.
Na terceira idade, mudanças naturais dessa fase podem tornar algumas características mais evidentes. A aposentadoria, alterações na rotina, perdas familiares, redução da convivência social e novas demandas do cotidiano podem aumentar a necessidade de apoio.
Entre os sinais que podem indicar a necessidade de uma avaliação especializada estão dificuldades na comunicação social, desconforto diante de mudanças, sensibilidade a estímulos como sons, luzes e cheiros, necessidade de manter determinadas rotinas e interesses específicos e intensos. No entanto, cada pessoa no espectro apresenta características únicas, e somente uma avaliação profissional pode confirmar o diagnóstico.
Pesquisas internacionais recentes reforçam a importância de olhar para o envelhecimento da população autista. Um estudo publicado em 2025 na revista científica Molecular Psychiatry, com dados do Global Burden of Disease Study 2021, apontou um crescimento significativo no número estimado de pessoas com 70 anos ou mais no espectro autista, passando de aproximadamente 894 mil em 1990 para 2,47 milhões em 2021. O levantamento destaca a necessidade de ampliar pesquisas e serviços voltados aos idosos autistas.
No Brasil, estudos publicados em 2024 também chamam atenção para os desafios enfrentados por essa população, como o diagnóstico tardio, a falta de profissionais preparados e a necessidade de fortalecer redes de cuidado que considerem a neurodiversidade durante o envelhecimento.
Receber um diagnóstico de autismo na terceira idade pode representar uma nova oportunidade de compreensão e acolhimento. Embora não mude a história vivida, ele pode ajudar a ressignificar experiências, fortalecer a autoestima e possibilitar estratégias para uma vida com mais autonomia e qualidade.
O Instituto Autismo Brasil acredita que informação é uma ferramenta essencial para transformar vidas. Por meio de conteúdos educativos, projetos sociais, ações de conscientização e fortalecimento de redes de apoio, o Instituto trabalha para ampliar o conhecimento sobre o autismo e promover uma sociedade mais inclusiva.
Para pessoas autistas, familiares e cuidadores, o Instituto Autismo Brasil oferece acolhimento, informação e orientação para compreender melhor o Transtorno do Espectro Autista, fortalecer vínculos e buscar caminhos que favoreçam mais autonomia, respeito e qualidade de vida.
O autismo não tem idade. Reconhecer o TEA na terceira idade é garantir que histórias inteiras sejam compreendidas e que cada pessoa tenha o direito de envelhecer sendo vista, respeitada e acolhida.
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